Internet na América Latina: diagnóstico e perspectivas

28/12/2012

* Por Fernando Rojas

Durante 2012, o desenvolvimento da Internet na América Latina tem tido avanços significativos, entre os quais se destacam uma melhoria contínua na acessibilidade do serviço – entendida como a percentagem do PBI per capita requerido para contratar uma conexão de banda larga– e um aumento nas velocidades de conexão.

Essas duas variáveis são realmente importantes para a região, já que o preço é um dos principais determinantes da procura e a barreira mais significativa de acesso ao serviço e aos benefícios derivados de seu uso. Por sua vez, as velocidades de conexão determinam os serviços e aplicações que são acessíveis através da Internet e limitam o efeito potencial do serviço no desenvolvimento.

Segundo os dados do Observatório Regional de Banda Larga da CEPAL (ORBA), entre março e novembro as taxas respeito ao PBI foram reduzidas em 30% e as velocidades de conexão de download de dados têm aumentado quase em 33%. Porém, ainda não tem sido possível fechar as brechas internas e externas: por exemplo, a penetração de usuários da Internet nos países da OCDE é de aproximadamente 80% da população, enquanto na região apenas atinge 40%. Além disso, a América Latina é muito heterogênea, com níveis de penetração que vão desde 10% até 50%.

Assim mesmo, a pesar das reduções acontecidas, as taxas representam na América Latina mais de 6% da renda média per capita, enquanto nos países desenvolvidos não atingem 1%. Em relação às velocidades de conexão, a maioria está por baixo dos 4 Mbps; e em vários países, velocidades de 256 Kbps ainda são vendidas como banda larga.

Neste contexto é que a CEPAL, através do Diálogo Regional de Banda Larga e com o apoio do projeto CEPAL @LIS2 da Comissão Europeia, trabalha conjuntamente com 10 países da região para desenvolver sugestões de políticas geradoras de condições que permitam reduzir os custos e melhorar a qualidade.

A este respeito, foram identificados dois elementos cujo desenvolvimento teria um impacto positivo em curto prazo: a atração de hospedagem de conteúdo a nível local e regional, e a implementação de pontos de troca de tráfego da Internet (IXP). A combinação dos dois gera uma interconexão mais eficiente tanto nacional quanto regional, já que permite que a troca de tráfego entre ISP locais não tenha que sair do país. Assim, são evitados os enlaces internacionais-hoje usados por cerca de 80% do tráfego da Internet na região-, que aumentam os custos e reduzem a qualidade do serviço.

Em 2013 haverá avanços significativos no desenvolvimento de infraestrutura de banda larga na região e melhorias na interconexão regional, pelo que o incremento da qualidade do serviço e as reduções de custos serão maiores do que hoje. Isto vai ter um impacto positivo na inclusão de segmentos de baixa renda e uma melhor e mais vantajosa experiência dos usuários.

* Responsable de Unidad de Innovación y Tecnología de la Información y las Comunicaciones de Comisión Económica para América Latina.

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