LACNIC 10 ANOS: entrevista a Lynn St. Amour

23/11/2012

“Todos participamos do ecossistema da Internet, não existem hierarquias”

Preservando a Internet para as futuras gerações, assim se titulou a palestra que Lynn St. Amour, presidente e CEO da Internet Society (ISOC), pronunciou durante o evento Lacnic 10 anos. Ele conversou com o Boletim Lacnic sobre a visão e a missão da sua organização.

Por Pablo Izmirlian.

Para Lynn St. Amour, presidente e CEO da Internet Society (ISOC), reuniões como a que Lacnic celebrou em Montevidéu são “essenciais”. “Quando dizimos multistakeholder às vezes pode parecer una palavra qualquer, mas ela é realmente essencial, estas reuniões são essenciais”, diz St. Amour.  A importância destes foros de discussão está, segundo a especialista, no fato de “reunir-se todo  mundo para uma discussão profunda, informada e construtiva”.

Antes de se unir à ISOC, St. Amour foi diretora de Desenvolvimento comercial e operações joint venture na divisão de AT&T para Europa, Oriente Médio e África. Diplomada na Universidade de Vermont, começou sua carreira em tecnologias da informação trabalhando na General Electric

Corporation. Durante a entrevista que manteve com o Boletim Lacnic falou sobre os objetivos da sua organização e o “ecossistema” da Internet, onde ISOC coexiste com outras instituições que também velam pelo desenvolvimento e o futuro da rede.

Qual o objetivo último da Internet Society como organização?

Nossa visão é que a Internet é para todos e por isto nosso objetivo último é que ao redor do mundo os indivíduos se conectem de uma forma em que possam realmente compreender e aproveitar ao máximo os benefícios da Internet: Consciente, informada e responsavelmente. Obviamente trabalhamos com os responsáveis da criação de políticas tanto no setor privado quanto na sociedade civil visando que todos compreendam o melhor possível o que significa; também, os desafios associados, a implementação de um meio de comunicação global, um meio que coloca tanto poder nas mãos dos indivíduos, o poder da escolha.

Como se traduz essa visão nas suas atividades diárias como presidente e CEO do ISOC?

Bom, divido meu tempo entre assuntos de desenvolvimento, técnicos e de políticas. A Internet é distribuída e descentralizada por natureza. Trato de liderar a organização focando-me em princípios: Em aqueles que sustentam o desenvolvimento da Internet e em aqueles que estabelecem nosso próprio compromisso. Pretendo sempre construir. A única forma de que isto continue crescendo é difundindo informação e consciência para os lados. Nossos escritórios regionais contam com grande autonomia e independência e existe um núcleo de atividades que é fundamental que sejam implementadas globalmente.

Qual sua relação com uma organização como a ICANN?

A ICANN é uma das organizações da Internet e as organizações da Internet, sejam registros regionais como LACNIC ou organizações como a IETF [Força de Tarefas de Engenharia da Internet], todas participam do ecossistema da Internet, não existem hierarquias. Várias organizações  dão apoio, por exemplo a IETF determina as políticas por trás dos parâmetros dos protocolos, e fornece patrões para nomes e numeração. Os vínculos entre estas organizações às vezes são operativos, outras vezes estão simplesmente numa visão compartilhada de que Internet deveria de ser para todos. Entre o ISOC e a ICANN não existe um vínculo direto, mas a Internet Society se candidatou há alguns anos para administrar o registro .org. Criamos uma companhia separada, Public Interest Registry [PIR], para administrar esse domínio. Então PIR, que é uma organização de apoio a ISOC, mantém sim uma relação contratual com  a ICANN. ISOC e ICANN são pares neste ecossistema da Internet, igual que com LACNIC ou qualquer um dos outros registros regionais.

Qual é sua formação? Como você se vinculou com a Internet?

Na universidade estudei física e ciências da computação, há muito tempo. Na realidade, acabei com um diploma em contabilidade e negócios, e um minor nestes assuntos técnicos. Mas trabalhei em ciências da computação, fui programadora em equipes digitais durante 16 anos. Morei na Europa durante 27 anos e só voltei para os Estados Unidos há um ano. Estando na Europa procurei alguma coisa nova para fazer e a Internet Society necessitava um consultor para alguma coisa, em 1998 [risos], e me apaixonei com a missão, das pessoas e do diferente que poderíamos fazer a vida das pessoas, assim que peguei a vaga e desde então tem sido extraordinariamente feliz. É uma grande missão.

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