O tráfego da Internet na região “cresceu 150%” em três anos

04/10/2014

Os últimos números da Internet na região são muito auspiciosos. Nos últimos cinco anos, o número de pessoas conectadas tem crescido 12% e desde 2011 até hoje, o tráfego da Internet na América Latina e o Caribe tem aumentado  150%.

Assim mesmo, nos últimos quatro anos, o consumo de gigabytes por mês por conexão nos lares tem dobrado até atingir uma média de 3 gigabytes por mês em 2014.

Mas ainda restam desafios importantes por cumprir,   como incluir os 60% de latino-americanos que ainda não tem acesso à rede. Como isso pode ser feito? Quais os planos para serem impulsionados? A população da América Latina tem acesso de qualidade? Essas são apenas três das perguntas que os operadores de redes vão tentar responder durante o encontro anual da comunidade da Internet da região,  LACNIC 22-LACNOG 2014, a ser realizado no final do mês em Santiago de Chile.

Ricardo Patara, chair do board de LACNOG, lista  animado as conquistas da região sem parar de pensar em novas soluções para os latino-americanos que ainda não estão na Internet.

Em diálogo com LACNIC News, Patara falou dos desafios de conectividade, o consumo de banda larga, o andamento do IPv6 e o Peering Forum que vai acontecer no Chile. Ainda há muito a fazer.

Quais são os últimos dados disponíveis no LACNOG sobre a situação da conectividade na América Latina e o Caribe?

Em geral, a conectividade tem crescido na região. Nos últimos quatro ou cinco anos a média de crescimento de pessoas conectadas a Internet na região da América Latina e o Caribe tem sido 12%. Muito próximo da média mundial. Verifica-se uma percentagem geral na região de cerca de 40% da população conectada.

 

Qual é o principal desafio de conectividade na região para os próximos 10 anos?

Mesmo que os números apresentados sejam bons em comparação com outros países em desenvolvimento e desenvolvidos, ainda é pouco. Em média, 60% da população ainda não tem acesso. Atingir essas pessoas é um desafio muito importante.

Vários relatórios e análises verificam que o acesso mobile é uma maneira mais viável pela sua velocidade na implementação e pelos baixos custos dos dispositivos e planos como tem sido verificado recentemente.

Mas isso vem acompanhado de outro desafio que é oferecer aceso de qualidade para toda essa população. E isso tem a ver com acesso fim-a-fim e endereços IP públicos para todos, além de interconexão regional para permitir a “localização” do conteúdo e acesso a um custo ainda menor.

 

Gerenciam informações sobre o aumento do tráfego nos países da região

Alguns estudos mostram que o total de tráfego da região é de cerca de 6000 Gbps., com um crescimento de mais de 150% nos últimos 3 anos.

Tem aumentado o tráfego nos lares? Quanto do consumo de banda larga corresponde ao tráfego de vídeos?

Alguns estudos apontam que o consumo em gigabytes por mês por conexão foi dobrado nos últimos quatro anos, atingindo uma média de 3 gigabytes por mês por conexão em 2014.

O consumo relacionado ao tráfego de vídeos pode ser de mais de 30% do total.

Como vocês visualizam a implementação do IPv6 na América Latina e o Caribe?

Se levamos em conta o volume de endereços IPv6 designados, estamos bem se nos compararmos com o resto do mundo. Temos mais de 67% dos sistemas autônomos da região com designações de blocos IPv6. Isso quer dizer que já deram um passo importante para a implementação.

Em relação com o uso efetivo, ainda resta uma longa estrada. Salienta-se o Peru com mais de 7% do tráfego recebido pelo Google em seus servidores usando IPv6.

Existem políticas públicas na região que facilitem a adopção dessa tecnologia?

Existem iniciativas de alguns países, como por exemplo Cuba, onde o governo estabelece a compra somente de equipamentos com suporte para IPv6. Em outros países há trabalhos de governos em parceria com associações e grupos de operadoras para estabelecer prazos tanto para a implementação a novos usuários quanto troca de equipamentos na rede com suporte para IPv6.

 

Como está a região em relação a outros continentes na implementação do IPv6?

Considerando o número de endereços IPv6 designados, a região está relativamente bem.

A região tem mais de 67% de Sistemas Autônomos com IPv6. Atrais somente da Europa com 70%. Tem também mais endereços IPv6 designados que a América do Norte. E apenas atrais da Ásia e o Pacífico.

E quanto ao uso, o país que se destaca é Peru. Os restantes estão 1% abaixo do tráfego IPv6 total. A média mundial é 4%.

 

Os operadores acreditam que existe um risco de “blecaute” (não crescimento) da Internet na região se o processo de uso do IPv6 não for acelerado?

Esse risco não existe. A Internet continua crescendo tanto em infraestrutura quanto no número de usuários e serviços.

Desde junho passado LACNIC entrou numa fase de designações limitadas em quantidade de endereços IPv4.

A Europa em 2012 e a Ásia em 2011 têm passado por situações similares. Ainda assim não houve colapso nem blecaute.

Mas certamente, preocupa que os custos para o crescimento da rede, o gerenciamento e acréscimo de novos usuários, a implementação de novos serviços, etc. tornem-se maiores com a escassez de IPv4 e sem implementação do IPv6.

Sem dispor de IPv6 e necessitando do IPv4, os provedores precisam de mecanismos de tradução, os que resultam caros e demandam mais controles por parte do acesso de seus usuários.

Não implementar o IPv6 implica em realizar mais traduções e com isso um aumento dos custos na operatividade da rede.

Implementar o  IPv6 conjuntamente com as traduções, que já são necessárias, faz com que quantos mais serviços com o IPv6 houver, haverá menos investimentos em tradução. Isto é, o custo passaria a ser menor.

 

Com relação ao evento do Chile, será realizada outra edição do Peering Forum da América Latina com o objetivo de facilitar a interconexão entre os principais provedores de serviços da Internet, provedores de conteúdo e pontos de troca de tráfego da região. Como tem sido essa experiência? Que se espera desse novo encontro?

De fato esta é a terceira edição do Peering Forum, a primeira edição formal foi no LACNOG2013 em Curaçao, mas o esforço de reunir às pessoas e organizações interessadas em fazer peering na América Latina e o Caribe tinha nascido antes, na LAC-IX para depois ser adoptado no LACNOG.

A experiência tem sido muito positiva, acreditamos que temos aumentado a vontade dos ISP e CDN em fazer peering nos Pontos de Troca de Tráfego (IXP) e de forma privada. Para alguns ISP médios e pequenos esta é a primeira experiência em entrar em contato com um IXP, CDN ou outros ISP para fazer acordos de troca de tráfego.

Nas primeiras edições do PF nossa intenção era que as pessoas se conhecessem, entrassem em contato ISP, CDN e IXP num mesmo local para trocar informações de contato. Nestas novas edições nosso objetivo é que as pessoas façam seus acordos de peering usando o PF como um ponto comum.

Suscríbete para recibir las últimas novedades en tu mail Click here to subscribe receive the latest news in your inbox. Inscreva-se aqui para receber as últimas novidades no seu e-mail