América Central revela uma realidade muito diferente de acesso e desenvolvimento da Internet

31/03/2014

Com o desafio de fortalecer o trabalho nas comunidades locais e melhorar o acesso às Tecnologias da Informação (TIC) nos países da América Central, o engenheiro César Díaz tem assumido como responsável das Relações Externas de LACNIC nessa região.

César, um especialista de destaque na área das Tecnologias da Informação (TIC) que conhece as realidades locais dos países da América Central e que tem trabalhado por mais de 20 anos no desenvolvimento e promoção da Internet, admite que a realidade desses países é muito diferente, e que a principal “dificuldade é o desenvolvimento da infraestrutura adequada para promover o acesso à maioria da população”, segundo disse em diálogo com LACNIC News.

Qual é o estado de desenvolvimento das TIC na América Central? A realidade é muito diferente em cada país?

O desenvolvimento das TIC na América Central tem estado melhorando nesses últimos anos devido aos incentivos gerados pelos governos da área centro-americana e pelas empresas privadas que procuram o crescimento das tecnologias da informação e comunicação. A maioria dos incentivos está focado no desenvolvimento de infraestrutura das telecomunicações para poder oferecer diferentes serviços de banda larga à maior parte da população, e as empresas para melhorar a competitividade e integração da área.

A realidade é bem diferente entre os países da América Central. Segundo os dados estatísticos do Fórum Econômico Mundial de 2013, podemos ver que Panamá lidera na região em relação à banda larga móvel com 15% para cada 100 habitantes, e na outra ponta encontra-se a Nicarágua, com 1% para cada 100 habitantes.

Em relação à banda larga fixa, a Costa Rica lidera com 10% de penetração para cada 100 habitantes enquanto a Honduras possui a menor penetração com 0.8% para cada 100 habitantes.

Quais são as principais dificuldades?

Eu acredito que a principal dificuldade é o desenvolvimento de infraestrutura adequada para fornecer acesso à maioria da população. As diferenças sociais e econômicas da região afastam o desenvolvimento dos elementos apropriados para implementar a infraestrutura na região toda de uma forma homogênea.

Que áreas deveriam ser priorizadas na região para desenvolver ainda mais à Internet?

Uma vez superada a implementação de infraestrutura adequada, deve ser dada prioridade à prestação de valor para o desenvolvimento e uso da rede, através de aplicativos e conteúdos próprios de cada região que contribuam para o desenvolvimento étnico, cultural, social e econômico da população.

Existe consciência em nível das organizações, empresas e governos da região sobre o esgotamento do atual protocolo da Internet, o IPv4?

De acordo com meu ponto de vista, a região não está ciente do esgotamento do recurso dos endereços IPv4.  Os atores da região colocam a implementação do protocolo IPv6 em modelos econômicos, baseados em soluções técnicas que permitem a coexistência do IPv4 com o IPv6. Nosso desafio é apoiar à região na definição de novas estratégias em curto prazo que permitam, de forma transparente para o usuário, usar o protocolo IPv6.

Os países da América Central já têm adotado o IPv6?

Existe pouca implementação do IPv6 na região. Até estas estratégias a curto e médio prazo para implementar o IPv6 sejam criadas, os usuários da região terão acesso limitado para esses novos recursos bem como para seus benefícios.

A partir da sua posição em LACNIC, o que você acha que as organizações da América Central podem fazer para impulsionar o IPv6?

Desde a minha posição em LACNIC, considero que as organizações centro-americanas podem fazer muito para impulsionar o IPv6. A criação de políticas que incentivem a implementação do IPv6 é possível se forem levados em consideração todos os atores do ambiente da Internet e, com o apoio de LACNIC, poderemos ver os resultados esperados.

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