Maratona de LACNIC sobre o IPv6

28/06/2018

Para comemorar o sexto aniversário do lançamento mundial do IPv6 e do Dia do IPv6, LACNIC organizou um webinar de quatro horas no qual apresentou estatísticas e exemplos de boas práticas e compartilhou ferramentas e iniciativas para a implementação deste protocolo na América Latina e o Caribe.

Durante as palestras, ficou evidente que o esgotamento completo a nível global dos pools disponíveis de endereços IPv4 torna as linhas de ação com o protocolo IPv6 mais urgentes. Quatro dos cinco Registros Regionais (RIR) já esgotaram seu espaço disponível de endereços IPv4, ficando espaço apenas no AFRINIC, o RIR da África.

Juan Carlos Alonso, líder de operações de TI de LACNIC, comentou que existem mais de 20 bilhões de dispositivos conectados à Internet e menos de 5 bilhões de endereços IPv4.

Ele ressaltou que as consequências mais diretas do esgotamento do IPv4 foram a abertura de um mercado de endereços IP com compra venda de pacotes, onde é cada vez mais caro obter o IPv4; e também se tornou muito difícil conseguir o IPv4 por causa das mudanças de políticas nos Registros Regionais (RIR).

Ele afirmou que um dos recursos mais usados para suprir a falta de endereços IPv4, o chamado Network Address Translation (NAT), não são uma solução sustentável no tempo, pois acarretam muitos problemas. Entre as desvantagens dos NAT, listou as limitações no número de sessões, o que se traduz em uma percepção da pior qualidade de serviço por parte dos clientes, e que usuários de diferentes países acessam a Internet por meio do mesmo endereço IP, dificultando o uso de aplicativos ou serviços (exemplos do Google, Twitter, Netflix, etc).

O uso dos NATs também causa problemas legais, já que a rastreabilidade dos usuários é mais complexa quando se tem que carregar registros indicando endereços e portos usados nos diferentes níveis das caixas. Nesse sentido, ele disse que já existem regulamentações que exigem que os ISP possam rastrear qual usuário estava usando um determinado IP em um determinado momento, o que não pode ser feito com os NATs.

Da mesma forma, a proliferação de NATs para aumentar a proporção de usuários para IP diminui a qualidade das conexões com a Internet, aumenta a complexidade da rede e, acima de tudo, aumentam os custos operacionais e uma maior propensão a falhas, alertou Alonso.

Ele destacou que são desviados possíveis investimentos em infraestrutura para comprar IPv4 e instalar NATs, quando se trata de “uma solução temporária, cara e de baixa qualidade”. É por isso que ele afirmou que é preciso investir em uma solução definitiva, como é o IPv6. Alonso enfatizou que o IPv6 não é caro para implementar se aproveitar o ciclo de investimento natural e se é comparado com o custo do IPv4 (transferências e custo de CGNs por usuário).

Promoção do IPv6. O especialista de LACNIC salientou que até junho deste ano 38.2% dos Sistemas Autônomos (ASNs) da região de LACNIC estão anunciando blocos IPv6.

No entanto, também afirmou que a expansão efetiva do IPv6 na região requer uma implementação substancial em redes de acesso para usuários finais (DSL, fibra, cabo), redes de acesso móvel (4G, 3G) e provedores de conteúdo local.

Alonso disse que a mudança “natural” da tecnologia na organização deve ser aproveitada para comprar equipamentos que suportem o IPv6.

Em sua apresentação, o líder de operações de TI de LACNIC quebrou mitos, como, por exemplo, o mito de que se não há conteúdo no IPv6, não há tráfego. “Em uma rede IPv6 completo, entre 30 e 45% do tráfego é IPv6”, disse o especialista.

Também apresentou histórias de sucesso em nível global e regional, citando o exemplo do governo da Costa Rica, que desenvolveu um plano nacional de IPv6 com resultados muito bons, e a Comcast, um ISP que começou com seu programa do IPv6 há mais de 10 anos com planejamento e implementação incremental, tendo atualmente toda a sua rede suportando o IPv6.

Estatísticas desiguais. Carlos Martínez, gerente de Tecnologia de LACNIC, compartilhou as estatísticas atuais sobre o IPv6 na região. “Temos um número significativo de casos de países com penetração do IPv6 acima de 5%”, disse Martinez e detalhou a lista desses países: O Peru, Equador, Brasil, Bolívia, Argentina, Uruguai, Guatemala, México, Trinidade e Tobago e República Dominicana.

No entanto, por sub-regiões, a adoção é muito diferente. A média da América do Sul é de 16.96%, na América Central e no México a porcentagem é de 8.77% e na sub-região do Caribe é de 3.10%, quando a média mundial está em 18.07%. “Fica claro que temos assimetrias muito significativas na nossa região”, comentou Martinez.

Durante o webinar, foram apresentadas iniciativas bem-sucedidas e iniciativas dos governos da Costa Rica, México e Colômbia para a implementação do IPv6, e também houve apresentações técnicas especializadas sobre mecanismos de transição e planos de numeração do IPv6.

Confira as apresentações aqui.

 

 

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