Os IXP como meios geradores de comunidades

30/11/2021

Um programa de apoio a Pontos de Troca de Tráfego (IXP) da América Latina e Caribe realizado durante quase dois anos pelo LACNIC, Internet Society (ISOC) e LAC IX, conseguiu que a maioria das organizações que participaram da iniciativa anexassem normas de segurança e melhorassem seu roteamento interno.

O projeto alcançou a 13 IXP da região e cerca de 80 profissionais, que receberam treinamento e apoio para a implementação do sistema de validação RPKI, bem como para a automação de seu servidor de rotas e a certificação sobre Normas de Acordo Mútuo para a Segurança do Roteamento (MANRS).

Mauricio Oviedo, CEO da empresa SOCIUM.CR que colabora com este projeto, destacou a sinergia com as organizações envolvidas e assegurou que a maioria dos IXP anexaram normas de segurança e organizaram seu roteamento interno com o apoio do LACNIC, ISOC e LAC IX.

A repercussão deste projeto foi além dos IXP, visto que permitiu uma melhor segurança da Internet no país e mais tarde na região.  ”Trabalhamos com os Pontos de Intercâmbio de Tráfego porque neles estão concentrados a maior parte do tráfego de cada país”, acrescentou Oviedo.

Houve otimização de recursos e aceleração dos processos sobre segurança de roteamento, de maneira que a maioria dos IXPs da região cumprem com as normas do MANRS.

“A vantagem, além da instalação de software ou equipamentos com um fim específico, é que tenham sua plataforma mais segura, podendo demonstrar a outros que é possível aplicar nos MANRS”, comentou o especialista.

O programa possibilitou também a criação de uma comunidade de técnicos, de cada IXP e de cada país, envolvidos em melhores práticas.

Entre outras ferramentas fornecidas aos IXPs encontram-se os servidores de rotas implementados com software BIRD, os quais junto com a instalação de validadores de RPKI permitem aprimorar a estabilidade e a segurança do roteamento. Foi instalado software para a organização da administração do IXP como IXP Manager, serviços de DNS de zonas reversas e coletores de BGO, a fim de contar com informação das tabelas de roteamento da região. 

A capacitação dos profissionais dos IXP foi realizada em duas etapas: uma durante o processo de implementação e documentação, e a outra foi um processo de indução e transferência de conhecimento.

A iniciativa permitiu desta forma que os IXPs possam pensar em projetos conjuntos, de fato já há conversas para se conectarem entre eles, isso porque seu funcionamento e sua gestão estão padronizados. “Sentem-se mais confiados com a infraestrutura que possuem”, reafirmou Oviedo.

Pontos neurálgicos. Guillermo Cicileo, líder de Pesquisa e Desenvolvimento de Infraestrutura de Internet no LACNIC, destacou que boa parte da Internet de cada país passa pelos IXP. “Os IXP para nós são centros neurálgicos, assegurando-os cumprimos duas funções: o tráfego que passa por aí será mais seguro, e, por outro lado, gera uma redução de impostos para os operadores na gestão e na aplicação das boas práticas”, disse Cicileo.

A implementação de padrões nos IXP causa um efeito multiplicador para os operadores.

“O fato de o tráfego ficar a nível local é uma vantagem e mais eficiência, melhor largura de banda e menor latência, inclusive em relação à segurança, já que fica menos exposto a ataques da Internet global”, comentou o líder de Pesquisa e Desenvolvimento do LACNIC.

Se quiser saber mais sobre o programa, ouça o nosso mais recente podcast.

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